Apesar do sono, a carta do pai mencionando ter conseguido entradas para o camarote senior na primeira etapa da copa mundial de quadribol era suficiente para que a garota perdesse o sono naquela noite! Os camarotes eram altos e possibilitariam uma boa visão do campo e dos jogadores, e outra coisa, soubera que o Ministério abriria vagas para estagiários no Departamento de Esportes mágicos, pensava seriamente em tentar o cargo. Pronto, não conseguiria dormir direito naquela noite. No entanto, Dorcas e Mia já estavam dormindo naquela hora, por esse motivo Bertha Jorkins vestira um robe de poá azul claro de organza e calçara um par de pantufas macias amarelas. Puxou um livro da cabeceira antes de cuidadosamente se dirigir até a porta com as pontas dos pés e fechá-la em seguida. No entanto os olhos avistaram uma ponta de tecido cor-de-rosa virar o corredor. Desistira de ler e procuraria algo mais interessante para fazer. Estreitou os olhos identificando de quem se tratava, conheceu os cabelos da garota, era Ruby Bluebell, era um ano anterior á Bertha e a garota a conhecia pelo narcisismo e ego inflado, bem, não conversava muito com a garota, na verdade nunca a vira se socializar com frequencia. Mordeu o lábio, quando vira a mesma sumir pela entrada. Iria fazer algo e a julgar pelo horário não era nada bom.
Apressou-se a cruzar a entrada que dava acesso ao barril do lado de fora, agora no corredor, apertou o robe, estava mais frio que debaixo das cobertas. A loira manteve no encalço da garota, embora numa distância para que esta não pudesse percebe-la. E ainda com cuidado para não ser pega pelos aurores. O caminho da garota ia agora na direção das masmorras, realmente não era algo bom que esta faria pois em suas mãos algo fazia um barulho. Bertha escondeu-se atrás da curva do corredor enquanto via onde Ruby se dirigia, parecia ser a sala de poções. Bertha manteve os lábios pressionados, estreitando o olhar e fitando a colega de casa que não parecia te-la notado ali.
Ruby seguiu confiante e sorridente em direção ao escritório de Slughorn e quando chegou ao mesmo ergueu as sobrancelhas satisfeita. O ato era visivelmente drástico, mas a moça geralmente não media esforços quando o assunto era vingança. Seus lábios vermelhos estavam firmes e sérios sobre a luz serena da lua muito cheia, olhando para os lados teve certeza de que não estava sendo seguida. Colocou a gaiola que fazia alguns murmúrios desafinados, porém não muito intensos no chão e tirou do bolso de seu robe a varinha fina com uma pérola gigante cravada na parte inferior da mesma, destrancou a porta abriu uma pequena fresta lançando um “Abbafiato” no cômodo repleto de vidrinhos de poções e outras bugigangas quebradiças. Afinal, queria que a sua suposta surpresa não acordasse ninguém naquela noite. Muito metódica e calculista a jovem abriu a porta que rangeu em silêncio e colocou a gaiola dentro da salinha pequena. Deu um ou dois pulinhos de alegria e apontou com a varinha para seu presente maldito tirando o pano que o cobria e o fazendo flutuar até suas mãos. Muito atenta e preparada lançou um feitiço que libertou ou Diabretes e fechou a porta com força e pressa para que nenhum deles escapasse. Trancou o depósito de poções e bateu palmas para ousadia e astucia. Quando se virou para a direita pretendendo voltar ao dormitório e dormir da maneira mais tranquila que poderia a jovem ouviu um ruído praticamente imperceptível a ouvidos humanos. Estremeceu. Seria um auror se aproximando? Ou o assassino que estava à solta procurando uma nova e desatenta vítima? Ruby se jogou para perto da parede fria de pedra erguendo a varinha a espera do pior. Contudo, após alguns segundos de medo pode ver uma mecha dourada reluzir dentre as sombras tenebrosas da noite. Ali na curva que dava para outro corredor, logo atrás de uma estátua de mármore, uma garota se escondia. “Bertha Jorkins” pensou ao reconhecê-la. Fitou-a assustada e tentou esconder o terror impregnado em suas feições macias. – Jorkins? – Murmurou com uma careta de irritação. Nunca fora com a cara da lufana em questão. Na verdade, nunca ia com a cara de ninguém.
ooc: olá pessoal! alguém aí? :D


Peter escondeu um sorriso, assim que percebeu a aproximação da Lufana, a garota parecia desnorteada com o seu desprezo. Quando esta deixou a tampa do alçapão fechar fazendo barulho, o Maroto desejou esganá-la. – O que você tem na cabeça? Um cérebro que não é. – Reclamou sem gritar, revirando os olhos à medida que Ruby chegava mais perto. As costas de Peter bateram com força de encontro à parede da loja, sentindo uma pontada de dor, o garoto a segurou pelos braços, impedindo que continuasse o caminho. – Se você está tentando chamar a minha atenção, você conseguiu. Você tem quantos anos? Quatro? Pois é o que está me parecendo, vendo-a agir com tanta infantilidade. – Quando a soltou, a menina o deixou sozinho e revoltado, ele a seguiu.
- Eu não fiz nada contigo, ou é isso que você quer que eu faça? Alguma coisa? Está sentindo saudade dos meus beijos? – Peter perguntou com ousadia. Ruby o irritava e, portanto, mal media as próprias palavras. – Você tem sérios problemas de personalidade garota. – Falou por fim, mesmo a par de que ele próprio não estava distante disto. Sofria um grande distúrbio de personalidade e pior, de caráter, mas Ruby não precisava ficar ciente disso. - Me deixa em paz, entendeu? – Alfinetou, antes de virar as costas e seguir na direção contrária à loira. Pettigrew deixou a Dedos de Mel, totalmente contrariado, esquecendo-se do verdadeiro motivo de ter vindo ao povoado.
As palavras odiosas que Peter soltou quando ainda estavam no porão da loja não surtiram o mínimo efeito na moça. Irrita-lo era algo que certamente desejava fazer e a melodia produzida pelos lábios do rapaz era uma resposta particularmente agradável. Seu exacerbado ego tomava conta para que algo tão insignificante quanto o desprezo de Peter soasse como música para seus ouvidos.
Já em um dos corredores da Dedosdemel fitando alguns doces os quais nunca fora muito chegada percebeu que Peter se aproximava outra vez. Soltou o ar denso de seus pulmões e quando se virou o fitou de uma forma a qual deixava clara a ira colossal que estava prestes a extravazar, tentava assusta-lo e obriga-lo a simplesmente sumir. “Saudades dos meus beijos” era a única frase que conseguiu realmente ouvir. Um baque a atingiu em cheio e a loira sentiu que era o estopim perfeito pra o inicio de uma sangrenta guerra. Ficou boquiaberta com a insolência do jovem e não conseguiu ao menos perceber que este havia, por fim, ido embora. Sua raiva era imensa e suas pálpebras pesaram com o calor do mais puro ódio.
Seus passos sempre tão leves faziam o assoalho de madeira da loja colorida ranger antes de sua saída do ambiente açucarado se dar. Parou em frente ao estabelecimento e quando avisto Peter o seguiu andando o mais rápido que podia. Esticou o braço e o virou dando em seguida um tapa em seu rosto irritante. Era difícil falar alguma coisa após o ato impulsivo.
Não o agrediu pelo beijo que haviam travado ou pelas palavras ácidas que trocaram aquele momento. Bateu nele por si mesma. Pelo choro que deixou escapar quando ele disse a verdade e pelo arrependimento pesaroso que sentira quando passou a noite com um de seus melhores amigos fazendo uma extrema vingança. Sentia-se um monstro. – Eu te odeio! – Anunciou completamente infantilizada com um olhar muito indefeso se comparado ao anterior. Engoliu em seco e esperou simplesmente. Era tudo muito inexplicável.
Downtown - Petula Clark
Era noite. O céu era um véu escuro salpicado pelas luzes singelas das constelações existentes que iluminavam os jardins verdes de primavera. Ruby andava devagar pelos corredores vazios e sombrios de Hogwarts cuidadosa e muito calada. Mortes e torturas de terceiros haviam criado a noite como o ambiente perfeito para receber uma detenção, contudo a raiva falava mais alto. A suavidade e leveza veela que Ruby possuía faziam com que seus passos deslizassem silenciosamente. Nem o mínimo ruído era produzido pela lufana. A única fonte de luz era a da lua cheia que atravessava os vitrais coloridos fazendo suas madeixas loiras brilharem como ouro. Seu ropão de seda cor-de-pérola oscilava pelo chão áspero e gélido de pedra enquanto suas mãos finas seguravam com firmeza um objeto metálico coberto por um pano curto e escuro que havia guardado há muito tempo na Sala Precisa. Diabretes da Cornualha. Sim, uma gaiola cheia das criaturinhas inoportunas e bagunceiras que lhe fariam o trabalho de destruir o reservatório de poções durante aquela noite silenciosa. A jovem riu baixinho pensando na cara de Slughorn ao encontrar a futura bagunça terrível no dia seguinte. Ruby sempre fora uma criatura bela que, porém guardava sempre muito rancor dos outros. Ainda que seu pai fosse um grande amigo do professor de poções a jovem não conseguia aceitar o fato de Slughorn não queria aceitar o pergaminho sobre a poção polissuco que estava atrasado apenas dois dias. “Ele vai ver só…” Pensou caminhando em direção ao cômodo pequeno que se encontrava próximo a sua sala comunal. Estava tão concentrada no que carregava que mal percebeu que estava sendo seguida.